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Um olhar Anarquista sobre o Grito dos Excluídos & Um Caminho para Anarquistas do Interior (2022)

Essa é uma análise, individual e localizada, sobre os eventos do Sete de Setembro (2022). Espero que essas palavras cheguem, em especial a toda gente anarquista e de compromisso antifascista, do interior dos territórios hoje ocupados pelo estado do Brasil. 

Nota: Algumas informações sobre pessoas e locais serão comunicadas de forma vaga, por questões éticas e de segurança. 

O Grito dos Excluídos de 2022

Esse é um evento organizado e protagonizado por lideranças religiosas. Dentro de uma luta que se fortalece numa frente de oprimidos, é importante entender que lideranças espirituais tem em si, uma autoridade que é dada pela própria comunidade, e que precisa ser respeitada, não devemos arriscar repercutir preconceitos coloniais, especialmente contra religiões de matriz africana ou vertentes indígenas. 

O local e o método escolhido para a execução do ato foram bastante felizes. Tudo se deu na volta de um único gazebo, com um microfone aberto. Considerando que os carros de som dominam o imaginário dos militantes social democratas, estar cara a cara com quem fala, ajuda bastante a romper a lógica dos “produtores” e “consumidores” de discurso, que domestica os atos de rua. Infelizmente, anos de incentivo de uma cultura de rua totalmente engessada e nada imaginativa, não se dissolve com um ou dois acenos; algo pôde ser percebido pelo fato de que, apesar do microfone aberto, as únicas pessoas que se sentiram confortáveis para fazer qualquer intervenção, foram os suspeitos de sempre (todos ligados a institucionalidade). 

Uma questão especialmente desconcertante foi a constante defesa do nacionalismo, e a execução do hino em português e em um idioma indígena. Defender um nacionalismo que respeita o meio ambiente, os povos originários e as diferentes classes sociais, é defender um projeto totalmente contraditório com o que presenciamos todos os dias. O Brasil é uma máquina genocida que precisamos queimar e destruir, se queremos que haja um futuro habitável. É compreensível que a social democracia não compartilhe do mesmo ódio que eu (e tantes mais), mas a essa altura, uma defesa acrítica dos “valores nacionais” e falas vagas sobre democracia, mostram como essas figuras estão presas dentro de sua própria retórica, incapazes ou sem interesse de absorver novas informações. 

Não tenho nenhuma inimizade ou crítica a pessoas específicas que participaram, mas é preciso ser direto quando se identifica os limites da social democracia. É sintomático que no Grito dos Excluídos se falasse tanto de amor, democracia e união, enquanto no centro da cidade, caminhonetes da polícia militar passeavam, com agentes ostentando fuzis, carregando as crianças dos participantes da micareta fascista dedicada ao atual presidente.  

Nosso amor uns pelos outros é o que nos move, mas sem ação e pensamento afiado, os fuzis vão ganhar todas as batalhas. 

Um Caminho para os Anarquistas do Interior

Nem tudo é apatia. 

Defendo sempre que, não devemos deixar de ir as ruas, mas conforme avança o período eleitoral, sugiro uma retirada estratégica; os atos de massa vão seguir na sua lógica eleitoreira, e é improvável que qualquer posicionamento ou atividade autônoma seja bem-vinda. É melhor que nos voltemos ao nosso chão, nos nossos bairros e demais locais de atuação. 

A falta de fôlego da esquerda eleitoral prova que existe um imenso espaço para colocarmos nossas reivindicações e práticas radicais. Acredito que devemos buscar mais espaços onde possamos demonstrar como reorganizamos o mundo a nossa volta. Não esperem por ninguém, não sonhem com multidões, onde existirem três ou quatro anarquistas dispostos e entrosados, já temos tudo que precisamos. Busquem alianças com outros coletivos autônomos, se insiram nos problemas de suas comunidades, estejam atentos, mas não tenham medo de errar. Agindo aprendemos a agir, esperando só aprendemos a esperar. 

Se essas palavras te soam óbvias, esse é um sinal de que você e os seus já estão no caminho certo. Registrem sua história, escrevam suas próprias teorias, entrem em contatos com grupos de outras regiões. 

A revolta somos nós.

[caso
alguém queira mandar alguma contribuição sobre o Grito dos Excluídos ou
o que for, escreva para librosparaninxslibres@riseup.net]

Espalhando memes

[tradução do capítulo 06 do livro Anarchy in the age of Dinosaurs, por Curious George Brigade]

O Próximo Trem

“Eles são preguiçosos”. “Eles são sujos”. “Eles roubam e não são de confiança”. “São parasitas sugando nossos recursos”.

Todos nós já sacamos eles. Todos nós temos opiniões sobre eles. E a maior parte de nós já os deixou dormirem em nossos sofás. Nós sabemos tudos sobre os viajantes.

Essas são algumas das reclamações comuns que anarquistas vivendo em comunidades sedentárias têm contra seus parentes viajantes. Quando olhamos pra essas reclamações, elas infelizmente ecoam reclamações de outros lugares e outras pessoas. Esses são os mesmos chingamentos e esterotipos que pessoas do Leste Europeu têm contra Ciganos, suburbanos têm contra periféricos, que sindicalistas têm contra trabalhadores imigrantes mexicanos, ou que alemães têm contra trabalhadores vindos da Turquia.

Ao longo da história registada tem havido animosidade entre as pessoas em comunidades assentadas e os seus vizinhos nômades. Parte desse conflito sem dúvidas vem da crença de que quando recursos são escassos, nômades sem raízes irão roubar o que pessoas em comunidades assentadas trabalharam para conquistar. Alguns argumentam que essa tensão tem origem na inveja que pessoas assentadas têm por aqueles que parecem possuir mais liberdades e menos responsabilidades. Idependente das raízes desse conflito, o resultado final é o mesmo: desconfiança e hostilidade. Infelizmente muitos anarquistas caíram nas mesmas armadilhas de estereotipar e demonizar viajantes. Os anarquistas sempre foram viajantes!

Fosse Bakunin (talvez a primeira “criança viajante”) organizando a Primeira Internacional Negra, ou Emma Goldman agitando os celeiros ao redor dos EUA, anarquistas há muito tem levado seus projetos e ideias para a estrada. Hoje, continuamos a levar nossos projetos para estrada. Hoje continuamos levando nossas políticas e projetos como e onde quer que se vá: pulando de trem em trem em pequenos grupos, em bandos de bicicleta, em vans abarrotadas de instrumentos de alguma banda, esperando vôos, em tours de lançamento de livros em vans de soccer moms, ou simplements no dedão. Existem inúmeras razões para se viajar que existem para além do campo do puro hedonismo individual. Viagens tem potencial político e cultural que pode fortalecer nossas comunidades, fazendo polinização cruzada de ideias e oferecer apoio mútuo.

Espalhando Memes

Contato cara a cara é mais significativo que a comunicação através da televisão, telefone, internet, revistas, ou livros como esse aqui. Existe algo maravilhoso sobre encontrar uma pessoa de outra comunidade e compreender que vocês compartilham projetos e paixões parecidos. Viagens nos unem. Agora que anarquia não é somente o domínio de áridas feiras de livro e campus de universidades, um dedicado segmento de nossas comunidades tem espalhado ideias ao longo do país e do mundo. Essas ideias, as vezes chamadas de “memes” passam por mutações e mudam, aparecendo em lugares e contextos inesperados.

O Reclaim The Streets (RTS) surgiu dos protestos anti-estradas no Reino Unido, era uma tentativa de salvar os bosques nativos, incluindo as batalhas por Twyford Down. Conforme mais e mais ativistas urbanos se envolviam, o escopo dos protestos lentamente se transformaram de serem contra estradas especificas e passaram a ser sobre a cultura do automóvel em geral. Tripods e outras táticas que vinham sendo efetivas para paralisar a construção das estradas foram utilizadas para bloquear pistas no meio de Londres. O que começou como um protesto comum se tornou algo especial. Festas de rua foram improvisadas, com música, teatro de fantoches e a ação direta se espalhou pela Inglaterra por um ano, e em dois anos, a ideia havia se espalhado até a Finlândia. Dentro de quatro anos o RTS se transformou no Global Day of Action (você estava nas ruas em 30 de Novembro de 1999 ? Foi um Global Day of Action também) com mais de dez mil pessoas na capital do petróleo da Nigéria, Port Harcourt tomando as ruas, cantando e dançando, paralisando os agentes do conglomerado assassino Shell. Mutando conforme cruzava o Atlântico até os Estados Unidos, o fenômeno RTS se espalhou das rodovias de Londres para as estações de metrô de Nova York e os subúrbios de Naperville, Illinois. Uma parte significativa desse fenômeno era transmitido por pessoas transmitindo suas experiências com outras através de suas viagens. O meme da RTS transcendeu seu contexto inicial para se tornar significativo para pessoas ao redor de todo o mundo.

As viagens abrem a possibilidade de não apenas aprender sobre pessoas, projetos e resistências em uma comunidade geográfica específica, mas permite aos viajantes que se envolvam ativamente naquela comunidade. Uma das primeiras coisas que viajantes podem oferecer a seus anfitrioes é a realização de tarefas domésticas (como lavar pratos!) mas eles podem fazer muitos mais. A viajante traz com ela conhecimentos, a paixões, e habilidades: uma vida inteira de experiências e relatos de outros lugares. Sem trabalhos formais e outras restrições de tempo tradicionais, viajantes podem ser “reforços” políticos e culturais para a guerrilha na qual estamos atualmente engajados na América do Norte. No lugar de ser um recipiente passivo de informação, encontros cara a cara nos tornam parceiros ativos em um diálogo cultural. Essa é a premissa básica de conferências, convergências, e encuentros. Eventos de sucesso como a conferência da Zona Autônoma Permanente de Louisville (PAZ) reuniu pessoas de todos os cantos do país (e de fora) para compartilharem ideias, ofercer treinamentos e oficinas, trocar patches e stencils, fazer contatos e; sim; até passar um tempo de qualidade.

Nessas trocas, diversidade é importante: não apenas variedades racial ou étnica, mas também geográfica. Anarquistas no Kansas têm sua própria versão de anarquia, que tem algo em comum com a anarquia no Maine. Em vários níveis, elas devem ter algo ha ver com a anarquia boliviana ou coreana. Todas essas comunidades geográficas adaptam práticas anarquistas ao seu próprio ambiente local. Enquanto similaridades são certamente importantes, as diferenças são de onde a maioria dos projetos interesantes surgem. Variação local é o que mantém a cultura viva e imediata, assim uma visão única não sufoca inovações. Como dialéticas de uma só linguagem, as variantes regionais da anarquia nos tornam mais ricos e coloridos. No lugar de uma ideologia hogênea, de livros, a anarquia fez morada em milhares de comunidades, baseadas na sobreposição de culturas, políticas e práticas compartilhadas. Essas diferentes anarquias não precisam estar unificadas, ou terem um visual uniforme. Quando um viajando originalmente de Chicago trás experiências para um acampamento em defesa das florestas da Cascadia ou uma fazenda ocupada do Brasil, eles espalham suas próprias varaiações do meme anarquista. Só o tempo dirá o que acontece depois.

Quanto mais, melhor

Receber uma pessoa vinda de outro lugar para a sua cidade, aumenta a moral. Quando anarquistas saídos de meia dúzia de lugares chegaram em bandos em uma reversa de Nativos Americanos no norte do estado de Nova York, para ajudar a proteger famílias Oneida de serem desalojadas de suas casas, isso só foi possível pois a cultura da viagem carrega em si o desejo de oferecer apoio mútuo. As famílias foram surpreendidas ainda que tenham gostado de receber a ajuda de estranhos, ao messmo tempo em que os anarquistas ficaram contentes de se fazarem parte da luta comunitária, mesmo que temporariamente. Nesse caso, a luta por autonomia teria sido impossível sem a dedicação dos membros da comunidade assentada. Os viajantes usaram de sua “liberdade”(tempo livre e flexibilidade) para assegurar o sucesso da luta. Em um local bastante diferente, as hortas comunitários do sul do Bronx, incluindo o amado Cabo Rojo, foram mantidos por meses por viajantes e anarquistas de outros locais que construíram uma micro comunidade junto de seus camaradas em território okupado. Convergências, manifestações, e conferências ofereceram oportunidades para que pessoas de diferentes comunidades geográficas compartilharem e aprender uns com os outros. viajantes também permitir que grupos em conflitos locais pudessem contar com ajuda de improváveis aliados apesar do siolamento geográfico. Se a cultura anarquista do território nacional ou internacional pode em algum momento ser observada, é provável que seja durante esse tipo de interação.

As autoridades se preocupem, com razão, com a nossa habilidade de mobilizar companheiros de outras comunidades geográficas. Em um particularmente infame momento do Reclaim the Streets em Durham, Carolina do Norte, o sargento da polícia foi ouvido dizendo que centenas dos anarquistas lá eram de Eugene e São Francisco, mesmo o evento tendo sido feito majoritariamente por pessoas locais. A polícia estava justificadamente chocada pela habilidade dos participantes de se unirem e fazer o que quer que quisessem. Para a polícia, a única explicação era que a “garotada de Seattle” teria vindo para ameaçar o distrito, eles estavam completamente ignorantes ao fato de que haviam anarquistas vivendo no território. Parte do sucesso específico deste evento foi o fato de os locais se reuniram com outros anarquistas da Carolina do Norte, ativistas universitários, crianças de rua, e algums viajantes experientes. Enquanto poucas comunidades locais são capazes de promover eventos em que eles não seja sobrepojudados pela polícia, viajar nos permite mobilizar números inesperados de pessoas e abalar as autoridades. Invés de contar com uma massa humana homogena para superar nossos inimigos, nos beneficiamos dos nossos talentos e diferenças individuais. Essa é a força básica do movimento antiglobalização e é uma tática que pode ser útil em uma variedade de circustãncias e lutas.

“Paciência, Fortalece o Andarilho” – Pixo em uma estação de trem em Waycross, Georgia

As fronteiras não são apenas físicas, elas também são mentais. Enquanto acreditarmos que somos cidadãos de países específicos, ou limitados a uma só comunidade, vamos estar perdendo. Todos nós devíamos viajar! Seja de um lado pro outro do país para uma manifestação contra o FMI, ou cruzar a cidade para encontrar um grupo com quem nós acabamos de começar um projeto, viajar é uma maneira bastante real de conectar as pessoas. Nossa solidariedade não deve ser limitada as pessoas que casualmente vivem no nosso bairro ou cidade.

Amizade é uma grande mídia para paixão: melhor que livros, zines, ou mesmo a Internet. Infelimente, muitos anarquistas vivem em locais distantes das cenas que apoiam seus sonhos e projetos. Viagens e viajantes podem ser um potencial catalizador para permitir que pessoas isoladas pelo acaso da geografia possam ver seus projetos crescer e prosperar sem precisarem se realocarem. Se os anarquistas sonham em ser mais que uma força marginal nos EUA, nós precisamos chegar mesmo nos cantos mais solitários desse imenso país. Ironicamente, ao invés de “arruinar” comunidades, viajantes podem ser a melhor chance que temos de construir comunidades locais de resistências através da troca de ideias, recursos, e trabalho de diferentes locais.

Alguns pessimistas vão argumentar que viagem em si não é algo radical. E isso é verdade: um milionário pode pular em um avião para Barbados e ter todo um hotel só pra si, do mesmo modo que um anarcopunk nos EUA pode pular de trem em trem por puro escapismo. O potencial da viagem está em suas liberdades relativas: tempo para se dedicar a projetos, a habilidade de transportar materiais e informação, flexibilidade em por energia em novos projetos, apoiar camaradas de locais distantes, a lista é longa. Viagens também podem ser usadas para combater o isolamento e nos dar esperança em um mundo hostil. Como qualquer viajante sabe, chegar a um lugar que você nunca foi antes, exige paciência e dedicação: que nossas estradas coletivas todas levem a anarquia.

Célula de Janes Revenge lança comunicado reivindicando ataque a clínica anti-aborto em Olympia (2022)

Publicado em 10 de Junho de 2022 por Yellow Peril Tactics.

Noite passada nós vandalizamos quatro igrejas anti-aborto em Olympia. Todas essas igrejas têm ligações com clínicas anti-aborto, falsas clínicas onde religiosos manipulam em especial pessoas pobres, a dar a luz e manter filhos que elas não querem, as coagem a se casarem seja lá quem foi que as engravidou, estejam ou não em um relacionamento saudável ou seguro. As clínicas anti-aborto são baseadas na exploração e servem ao objetivo de preservar a família patriarcal, o primeiro local de violência contra mulheres, queers, e crianças.

Uma igreja Mormon, a igreja de Calvary, a igreja do Porto e St Michaels, todas passaram por um facelift nas primeiras horas do Domingo. Nós derramamos tinta vermelha nas portas da frente e deixamos uma mensagens de que “se os abortos não estão seguros, nenhum de vocês está”, “Aborte a Igreja”, e “Deus ama abortos”.

Mesmo com a possibilidade de que abortos sigam protegidos por lei em Washington após roe v wade for revogada, ainda existem inimigos locais que tem feito tudo que podem para torna-lo o mais difícil e inacessível possível. Essas igrejas estão horrorizadas com a ideia de pessoas exercendo sua autonomia corporal – seja abortando gestações indesejadas ou fazendo cirurgia/tomando hormônios para transição de gênero ou fodendo com quem nós quisermos – porque eles precisam darígida hierarquia da família como a unidade básica do controle. Não é nem mesmo conspiratório dizer que a igreja Mormon, a igreja Católica, e todas as outras que punem aborto e recompensam casamentos, são cultos patriarcais de abuso sexual. Desde o começo da igreja buscou controlar e destruir cada impulso de prazer e auto determinação.

Pichações podem parecer um gesto pequeno em uma guerra contra o controle religioso patriarcal, nós gostaríamos de deixar nítido que atacar, é fácil e divertido. Nossos inimigos são vulneráveis e fáceis de achar. Ao agir, nós aprendemos a agir, esprando, nó só aprendemos a esperar. O segredo é começar. Há uma clínica anti-aborto em Olympia na 135 Lilly Road, chamada “Options Pregnancy Clinic”. Seu website lista seus apoiadores financeiros incluindo Guild Mortgage, Molina Healthcare, Howards Cleaners, Shocking Difference Lectrical Contractor, Interstate Batteries, Tumwater Automotive, Timberland Bank, Nichols Trucking, Olympia Federal Savings Bank, e Kiley Juergens Wealth Manegement. Cada um desses negócios deve ser considerado responsável pela violência dos partos forçados.

Nós ecoamos as palavras de umas vadias malucas de uma década atrás quando dizemos que nós não estamos pedindo pelo direito de escolher, nós estamos estamos tomando em nossas mãos as habilidades necessárias para abortar. Nós não estamos apelando para o poder estatal por um fim na violência patriarcal, mas estamos ameaçando:

“Se os abortos não estão seguros, nenhum de vocês está”.

Pela alegria, pelo prazer, e auto determinação

Janes Revenge

Bo Brown Memorial Cell

Grécia: Anarquistas Saudam 2022 com Molotovs e Bomba de Butano

Publicado originalmente em Militant Wire, em 01 de Janeiro de 2022.

A mais nova rede anarquista de guerrilha urbana, a Direct Action Cells (DAC), assumiu autoria de um ataque incendiário aos escritórios de uma empresa de construção em Tessalônica, ocorrido nas primeiras horas de primeiro de Janeiro de 2022. A “Célula Casus Bell” lançou um comunicado no mesmo dia, declarando que o ataque com molotovs contra os escritórios da PRAXIS EE Technical Contractors foi uma retaliação pelo desalojo da manhã anterior, de uma ocupação de 34 anos de idade na Universidade de Biologia Aristóteles. Na mesma data, um ataque separado com explosivos improvisados, teve como alvo a catedral Agios Pavlos em Atenas, o ataque ainda não foi reivindicado, mas carrega todos os indícios dos ataques prévios das operações da DAC.

Como parte das políticas atuais do governo para desalojar okupações de espaços urbanos na Grécia, e reintroduzir as polícias dentro dos campus das universidades, a okupa “Hangout Biological” no campus da Universidade Aristóteles foi desmontado nas primeiras horas da manhã de primeiro de Janeiro. A polícia fez a escolta de trabalhadores, que demoliram uma parede lateral da okupa à marretadas, ganhando acesso a salas de aula e confiscando vários equipamentos, de extintores de incêndio à hastes de madeira com bandeiras anarquistas. O espaço vinha sendo okupado desde 1988. Em resposta ao despejo, uma recém formada célula da DAC, a Casus Bell, atacou os escritórios da PRAXIS, empresa que recebeu milhões para realizar um contrato de revitalização urbana. A nota divulgada acusa o reitor da universidade de colaboração com a administração das políticas de lei-e-ordem da administração Mitsokanis, e vai além.

Trecho da declaração

A comunidade acadêmica oficialmente abre os braços para o militarismo e a repressão, com a reitoria podre emocionadamente agradecendo pessoalmente ao próprio Mitsoutakis. Essa é a Universidade de Tessalônica: uma matriz de colaboradores da repressão onde nascem os oficiais uniformizados da República […] Nós assumimos a responsabilidade pelo ataque incendiário no prédio da empresa de construção Praxis, na Rua Kromnis em Kalamaria, logo após a virada do ano. Praxis é a empresa contratada que demoliu a okupação. Nós atacaremos individualmente, cada um dos que apoiam a repressão contra os territórios libertados.

Nosso ataque é o primeiro reflexo de um movimento de solidariedade prática, com os esforços ao redor do mundo, que defendem até o fim as áreas de resistência, solidariedade e ataque. Uma mensagem de força, apoio e cumplicidade com cada camarada que individualmente insiste na negação, no questionamento, na guerra. Você nos encontrará ao seu lado a todo momento do conflito, em cada barricada, por que nós não terminados por aqui. Nós estamos preparando um novo ciclo de ataques na guerra de atrito, organizando novas células de ação direta. E nessa guerra nós chamamos cada iniciativa insurgente para a ação, afiando os confrontos, quantitativa, qualitativa e operacionalmente. Nós respondemos guerra com guerra. […] – Direct Action Cells – Célula Casus Belli

Anteriormente, a maioria dos ataques da DAC em Tessalônica foram reivindicados pela célula local, Organization of Anarchist Action, que vinha mirando especificamente em membros do alto escalão da polícia.

Em outra notícia. Uma explosão estremeceu a vizinhança de Omonia em Atenas, nas primeiras horas de 1° de Janeiro, quando um dispositivo explosivo improvisado (IED) detonou do lado de fora da catedral Agios Pavlos. Supostamente o dispositivo foi confeccionado com um “botijão de gás”, o que sugeriria, mas não confirma, mais um ataque da DAC, já que tanto células em Atenas quanto em Tessalônica tem frequentemente usado IEDs construídos à partir de botijões de gás butano. Apesar dos métodos semelhantes aos da DAC, é importante perceber que a Igreja Ortodoxa Grega é um alvo popular por uma variedade de grupos que operam na Grécia. Além disso, as células de Atenas da DAC parecem preferir executar múltiplos ataques antes de lançarem um comunicado assumindo a responsabilidade por múltiplos ataques similares, usando IEDs construídos com botijões de butano, ou coquetéis molotovs e geralmente são fotografados e filmados pela célula. Até agora, não há conexão entre o ataque de Agios Pavlos e a célula local da DAC.

2021 foi o ano de estreia das operações da DAC, e seus ataques vêm sendo consistentes em métodos, alvos e retórica dos comunicados. As aspirações estratégicas primárias do grupo é desenvolver uma rede de “violência revolucionária” não apenas na Grécia, mas também ao redor do mundo, encorajando ideologicamente membros alinhados à esquerda radical e movimentos anarquistas a executarem ataques em alvos do “Estado e capital”. Até agora eles vem sendo bem sucedidos em estabelecer uma rede através da Grécia continental, de Atenas até Volos e Tessalônica. Se essa rede vai se espalhar através da Grécia para incluir, por exemplo, comunidades [na ilha de] Creta, ou mesmo avançar para dentro da Europa onde esses grupos têm simpatizantes, como na Itália ou Alemanha, é algo a ser observado, mas até então, não aconteceu.

O Estado é uma Máquina – Contra Especialistas e a Eficiência

[tradução do capítulo 05 do livro Anarchy in the age of Dinosaurs, por Curious George Brigade]

Anarquistas estão criando uma cultura que permite que mais e mais pessoas se libertem do reinado dos dinossauros. No momento, nossa agitação e propaganda costumam ser apenas fagulhas para inflamar o coração, não as chamas da revolução de fato. Para alguns isso provocou tanto impaciência quanto cinismo, mas anarquistas devem estar confiantes. Nós estamos criando uma revolução na qual nós não apenas controlamos os meios de produção, mas onde nós controlamos nossas próprias vidas.

Não existe uma ciência da mudança. A Revolução não é científica. Ativistas não deveriam ser especialistas em mudança social do mesmo modo que artistas não deveriam ser especialistas em autoexpressão. A grande mentira de todos os especialistas são é declarar ter acesso ao exclusivo, o intocável, e mesmo o inimaginável. Os especialistas da revolução, em amor ou títulos, exigem muitas coisas além de sua lealdade. Acima de tudo eles demandam eficiência; um lugar na máquina bem lubrificada.

No lugar de hortas de fundo de quintal e transporte público, a eficiência criou comida genéticamente modificada e rodovias de dezesseis vias. Eficiência demanda a ilusão do progresso não importa quão vazio. Nossa negação a eficiência nos levou a muitos projetos incríveis. Food Not Bombs podem não ser o meio mais eficiente de entregar alimento para os que tem fome, mas eles costumam ser mais efetivos em seus objetivos que qualquer programa governamental, doação religiosa, ou corporação eficiente. McDonals nos promete uma versão rápida e eficiente da experiência de um restaurante; não é exatamente o oposto do que queremos que nosso mundo se pareça? Eficiência move muitos projetos e campanhas; ativistas de mais se transformaram em personagens tão superficiais e inacreditáveis quanto aqueles dos comerciais de televisão. Suas buscas por questões eficientes e facilmente comercializáveis os levaram a uma competição contra empresas, governos e outros ativistas pela imaginação do público.

Como a massa, eficiência é uma deidade chave no panteão do pensamento dinossauro. Não tem nada de errado com o desejo de fazer as coisas acontecerem; alguns projetos necessários nunca ficam longe do trabalho pesado e quanto mais rápidos forem realizados, melhor.Porém nossos relacionamentos pessoais e desejo compartilhado por mudança não são coisas a serem apressadas, pré-gravadas e formatadas para a televisão

A aposta segura do ativista eficiente é que uma vez a liberdade nunca é vivida mas apenas discutida, toda mudança deve ser pré planejada e tediosa. Esses especialistas incluem os burocratas chacoalhando dentro de seus tamancos ao pensar no povo se revoltando sem a permissão ou condução do Partido. Essas pessoas arrastaram seus pés ao longo da história revolucionária: hoje elas são as pessoas que temem o caos das manifestações, ou falam sobre a luta de classes sem fazer referência ao que é revolucionário sobre a recusa das amarras da vida cotidiana. Sim, eles são justamente os que carregam cadáveres em suas bocas! Eles se arrepiam com ao pensar que as ideias ou as pessoas que defendem possam sair do controle. Para os autoproclamados especialistas em mudança social, a manifestação mais eficiente é aquela que tem única e nítida mensagem, uma audiência bem definida, e um roteiro pré programado… de preferência um roteiro escrito por eles.

Será que vamos imitar estas máquinas políticas? Será que vamos nos esforçar para nos tornarmos como o estado? A versão Esquerdista da máquina irá uma vez mais moer diferenças para criar um produto final: o Fim da História, Utopia, A Revolução. As máquinas consomem nossa vitalidade e contribuem para o esgotamento tão comum em nossas comunidades. O envio em massa de cartas pelo correio pode ser mais eficiente do que conversar com desconhecidos, ou instalar uma banquinha de limonada em uma praça, mas não é necessariamente mais eficiente. Existe algo a ser dito sobre escolher o caminho mais longo entra aqui e lá.

Toda vez que deixamos nossos problemas para serem resolvidos por especialistas, nós cedemos um pouco mais de nossa autonomia. Os juízes, os professores, os cientistas, os políticos, os policiais, os banqueiros: esses são os engenheiros da eficiência. Suas ferramentas jamais poderão transformar nossos relacionamentos ou nossa sociedade; eles apenas calcificam e enrijecem as que já estão fudidas. Em seu mundo, sempre haverá consumidores e consumidos, prisioneiros e captores, devedores e acionistas. Os pequenos dinossauros que desafiam os maiores talvez queiram mudar o mundo, mas eles farão isso de acordo com um plano escrito, não por eu ou você mas por especialistas de poltrona.

Ilusões de Controle

[tradução do capítulo 04 do livro Anarchy in the age of Dinosaurs, por Curious George Brigade]

Diante da incontida natureza selvagem da realidade, os dinossauros caem em febris ilusões de grandeza. Em espasmos de insanidade, eles recriam o mundo a sua própria exagerada imagem, pondo á baixo o que há de selvagem e a substituindo por uma terra devastada que reflete seu próprio vazio. Onde antes existia a incrível e complexa diversidade da natureza, agora resta apenas a simplicidade morta do asfalto e concreto.

Esses hábitos de controle estão profundamente enraizados não apenas nos dinossauros, mas também em todos com quem eles entram em contato, incluindo a maior parte dos autodeclarados revolucionários. Essas ilusões de controle afetam como construímos relacionamentos com outras pessoas, articulamos nossos próprios pensamentos, e vivemos nossas vidas; Se olharmos para a sociedade estadonidense, nós não podemos ignorar os índices de violência doméstica, o egoísmo brutal, e a homofobia institucionalizada, sexismo e racismo. Assim como dinossauros destroem ecossistemas físicos, eles substituem seus relacionamentos sociais por alianças e parcerias baseadas em eficiência, controle, crescimento e a busca pelo lucro. Anarquistas também replicam esse comportamento. O que antes era uma comunidade se torna um movimento; amigos são substituídos por meros aliados. Sonhos se tornam ideologia e revolução se torna trabalho; Revolucionários desesperadamente tentam controlar o mundo ao seu redor; um esforço fútil, já que é o dinossauro de duas cabeças gêmeas o Estadossauro e o Empresas Multinacionalssauros que controlam o mundo atualmente. Abandonando o presente, radicais comumente vivem suas vidas como fantasmas em algum passado ou futuro revolucionário. Não é surpresa que revolucionários que de fato acreditam em sua própria retórica acabam esgotados ou, pior, como teóricos de sofá. É mais fácil ponderar sobre o futuro do que fazer algo sobre o presente.

Do mesmo jeito que é mais fácil teorizar sobre o mundo do que interagir com o mundo, é muito mais fácil teorizar sobre como a Revolução acontecerá do que de fato fazê-la acontecer. Previsões e teorias elaboradas sobre qual grupo é mais revolucionário são ainda mais ridículas. Os teóricos, sendo especialistas consumados, reservam pra si o direito de apontar quem irá criar a revolução no confortável futuro distante. Quem eles vão escolher dessa vez? Os trabalhadores ? O proletariado? Juventude? Pessoas racializadas? Pessoas do Terceiro Mundo? Qualquer um exceto eles mesmos.

Ninguém sabe que cara terá A Revolução, muito menos os desdenhosos, procrastinadores de sofá, que ignoram o que está a seu redor para contemplar a perfeição da dialética. Pessoas que se mantém com os pés fincados no chão instintivamente sentem que nenhum livro de teoria revolucionária consegue capturar cada detalhe do futuro. Muito do que é chamado “revolucionário” é irrelevante para pessoas comuns. As vozes das comunidades reais estão vivas de uma maneira que nenhuma teoria jamais poderia estar mesmo se, por agora, isso tome a forma de pequenos atos de resistência. Quem não sonega impostos, evita policiais, ou mata aula? Esses atos em si podem não ser revolucionários, mas eles começar a desvelar o controle que vem de cima. Abordagens anarquistas devem ser relevantes para o cotidiano e flexíveis o suficiente para servirem a lutas em diferentes situações e contextos. Se nós pudermos alcançar esse ponto, então talvez possamos florescer no mundo de depois dos dinossauros. Nós talvez até tenhamos sorte o suficiente de estar em uma dessas comunidades que participam na derrubada dos dinossauros.

Um Sonho de Massa

[tradução do capítulo 03 do livro Anarchy in the age of Dinosaurs, por Curious George Brigade]

A falha mortal do pensamento dinossauro é seu insaciável desejo por massa. As raízes desse impulso histérico podem ser traçadas de volta ao século 19, uma longa noite da qual ainda não saímos. As origens exatas desse desejo em se tornar massa não nos interessa: ao invés disso, nós queremos entender como esse pensamento dinossauro fez seu caminho até nossas culturas de resistência do presente, e o que podemos fazer para substituí-lo.

O desejo de massa dita praticamente tudo que um dinossauro faz. Esse tesão insaciável governa não apenas suas decisões, mas sua própria organização. Organizações de massa, mesmo na sua apresentação para outros (sejam potenciais aliados ou a mídia) engajam em primitivos, estufando o peito para fingir que eles são mais massivos do que realmente são. Assim como os primeiros dinossauros passavam quase todo momento de suas vidas em busca de alimento, os dinossauros da Esquerda gastam a maior parte de seus recursos e tempo perseguindo a quimera da massa: mais corpos no protesto, mais assinaturas, e mais recrutas.

A contínua atração por massa é sem dúvidas um sonho vestigial dos dias de revoluções do passado. Toda alma solitária vendendo publicações radicais sob a gigantesca sombra dos brilhantes outdoors capitalistas e sob o olhar de policias bem armados, secretamente sonha acordado com as massas invadindo a Bastilha, as multidões avançando no Palácio de Inverno, ou as fileiras marchando em Havana. Nessas fantasias, um indivíduo insignificante é magicamente transformado em um tsunami de força histórica. O sacrifício de sua individualidade parece ser um preço pequeno pela chance de ser parte de alguma coisa maior que as forças de opressão. Esse sonho é nutrido pela maioria da Esquerda, incluindo muitos anarquistas: a metamorfose de um pequeno, frágil mamífero em um gigante, imparável dinossauro.

O sonho da massa é mantido vivo pela iconografia tradicional da Esquerda: desenhos de imensas multidões anônimas, trabalhadores maiores que a vida representando o crescente poder do proletariado, e fotografias aéreas de legiões de manifestantes enchendo as ruas. Essas imagens tendem a ser atraentes, românticas e empoderadoras: em resumo, propaganda da boa. Entretanto, não importa quão sedutoras sejam, nós não devemos nos deixar enganar em pensar que elas são reais. Essas imagens não são mais reais, ou desejáveis, que a publicidade cinicamente oferecida a nós pelo sistema capitalista.

Tradicionalmente, anarquistas têm sido críticos a homogeneidade que vem com qualquer massa (produção em massa, mídia de massa, destruição em massa) ainda assim muitos de nós parecem incapazes de resistir a imagem do oceano de pessoas inundando as ruas cantando “Solidarity Forever!”. Termos como “Mobilizações de Massa”, “Classe Trabalhadora”, e “Movimento de Massa” ainda dominam nossa propaganda. Sonhos de usurpação e revolução têm sido impressos em nossa visão de lutas do passado: nós compramos um cartão-postal de outros tempos e queremos experencia-lo nós mesmos. Se mudança massiva, global e imediata são nosso único referencial, os esforços de um pequeno coletivo ou grupo de afinidade sempre parecerá destinado ao fracasso. A sociedade de consumo enche nossas cabeças com slogans como “maior é melhor” e “quantidade sobre qualidade”. Não deveria ser surpresa que o sonho de um movimento de massa maior e melhor é tão prevalente entre radicais de todas as espécies. Nós não devemos nos esquecer quanta criatividade, vitalidade e inovação flui daqueles que se recusam a serem assimilados. Muitas vezes é esse pequeno grupo que despreza o maisntream que faz as mais fantásticas descobertas. Sejam campesinos em Chiapas ou uma criança esquisita no ensino médio, essas são as pessoas que se recusam a ser mais um rosto na multidão. O desejo de atingir massa leva a muitos comportamentos e decisões desfuncionais. Talvez o mais insidioso seja o desejo de amenizar nossas políticas para ganhar apoio popular. Essa tendência comum até de mais leva a campanhas homógenas, sem sal, que são o equivalente político aos cartazes profissionalmente impressos que vemos nos protestos e marchas, monotonamente repetindo o dogma da mensagem dos organizadores. Apesar do suposto apoio a lutas e campanhas locais só são úteis para os dinossauros se eles puderem ligar isso a (ser consumido pela) massa. A diversidade de táticas e mensagens que facilmente surgem de grupos heterogêneos deve ser suavizada e comprometido para focar em uma slogan, ou objetivo facilmente digerível. Nesse pesadelo, nossa mensagem e ações simplesmente se tornam meios para aumentar o fluxo de inscrições, adicionar assinaturas ou chamados pra ação: todas medidas de massa. Nós pagamos por esses números com o sufocamento da criatividade e objetivos comprometidos. Ideias que afastem a mídia ou expandam uma mensagem simples para além de um slogan (“No Blood for Oil” ou “Not My President”) são evitadas pois podem vir a provocar discussão e desacordos, e assim reduzir a massa. Os saudáveis debates internos, discordâncias, e variações regionais precisam ser diminuídas. Ainda assim essas são as mesmas diferenças que fazem nossa resistência tão fluída e flexível, elevando as mais ousadas inovações.

Nessas situações tristemente previsíveis, o discurso pronto reina. A todo momento, os olhos permanecem no prêmio: tamanho. O desejo por massa e homogeneidade (que estão sempre de mãos dadas) limita iniciativas não conformistas e radicais daqueles que querem tentar algo novo. Uma reclamação comum sobre criatividade ou ações militantes é que ela não vai soar bem na mídia, que irá apagar nossa mensagem ou que talvez possa alienar um ou outro constituinte. Chamados à conformidade, normalmente no formato de cínicas demonstrações de“unidade”, são ferramentas poderosamente efetivas para censurar a resistência apaixonada daqueles que não se limitam as políticas de massa. O que está faltando em nossos atos de rua e em nossas comunidades não é unidade, mas solidariedade genuína.

Ao assegurar seus próprios objetivos, dinossauros usam medo como uma ferramenta. Eles utilizam os perigos reais que encaramos em nossas vidas cotidianas em nossas comunidades de resistência. Organização de massa nos prometem segurança e força nos números. Se você deixar que suas ideias, desavenças e inciativa sejam consumidas pelo dinossauro, você estará protegido em sua espaçosa barriga. Sem dúvida, muitas pessoas estão dispostas a temporariamente acomodar suas mensagens e formas particulares de resistência por segurança. Porém a promessa de segurança, seja assegurada por permissão para protestar ou uma grande lista de apoiadores, são vazias. O Estado tem uma longa história desmobilizar movimentos de massa: a suposta força de um dinossauro vêm de seu imenso tamanho. Tudo que o Estado precisa fazer é se livrar de qualquer movimento que seja através de prisões, cooptação, pequenas concessões, intimidação, e “assentos na mesa”.

Conforme o movimento é dividido em grupos que podem ser cooptados e uma minoria de radicais, sua força se dissipa, e a moral despenca. Isso tem se provado repetidamente como uma forma efetiva do Estado de se livrar de qualquer movimento buscando por mudança social e política. Existem outros sonhos, sonhos de anarquia, que não são assombrados por imensos proto-dinossauros. Esses não são sonhos d”A Revolução” mas de centenas de revoluções. Esses incluem formas locais e internacionais de resistência que dão conta de serem inventivas e militantes. A monocultura de Um Grande Movimento buscando pela Revolução a experiência vivida por pessoas comuns. Anarquistas na América do Norte estão criando alguma outra coisa. Algumas vezes sem nem saber conscientemente, nós estamos soltando a pele morta da barriga do dinossauro da Esquerda e nos aventurando para criar resistências selvagens e imprevisíveis: uma multiplicidade de lutas, todas elas significativas, todas elas interconectadas. Os sonhos de anarquistas são os pesadelos dos pequenos dinossauros: tomem eles a forma de políticos de Washington, oficiais bem pagos dos sindicatos, ou burocratas de partidos. Com um enxame de indivíduos diversos e pequenos grupos, a resistência pode estar em qualquer lugar a qualquer hora, em todo lugar e a todo tempo. Em uns poucos anos desde o final dos anos 90, a mistura de convergências anti-globalização, ativismo local e campanhas, viajantes, tecnologicistas, e solidariedade com resistências internacionais têm criado algo novo na América do Norte. Nós estamos substituindo o Movimento de Massa com um enxame de movimentos onde não há necessidade de sufocar nossas paixões, esconder nossa criatividade ou acomodar nossa militância. Para os impacientes, parecerá que nós somos muito poucos e ganhando apenas pequenas vitórias. Porém uma vez que deixemos as pretensões da supremacia da massa de lado, nós podemos aprender que pequeneza não é apenas bela, também é poderosa.

Antifascistas suecos expõem DADOS DE CLIENTES DE loja online ligada ao movimento neonazista

publicado originalmente em antifa.se

A Midgard é uma das maiores lojas online de música e merchandise white power da região nórdica. Desde 1990, Midgard tem um papel significante no movimento nazi da Suécia, servindo como infraestrutura para o movimento. Ao longo dos anos Midgard têm ativamente participado e apoiado financeiramente inúmeras organizações nazis, além de estar presente em eventos internos.

A Midgard opera desde a cidade de Alingsås. A empresa por trás da Midgard é Ringhorne AB (556870-8803), os proprietários são Martin Flennfors (19860125-5519) e Martin Engelin (19860630-4957). Ambos têm conexão com o Nordic Resistance Movement (Movimento de Resistência Nórdica), onde Engelin continua sendo um dos membros mais proeminentes da organização.

Assim como anteriormente coletamos e divulgamos as informações de clientes da Kampboden em 2016, Midgard em 2017, White United Shop in 2020, e Greenpilled em 2023, agora também podemos compartilhar os dados de clientes da Midgard, de 2017 a 2022. Os registros incluem aproximadamente 20.000 pedidos de clientes ao redor do globo.

Por algum tempo processamos os dados suecos, que contém cerca de 2500 clientes. Todos esses clientes escolheram ativamente financiar financeiramente o movimento nazista da Suécia ao comprar da Midgard.

Por conta da extensão dos dados, decidimos colocá-los nesta página externa com recursos que facilitam a consulta. Queremos que esses registros sejam um recurso para qualquer um que busque investigar e atacar o movimento nazista.

Com essa publicação, queremos demonstrar que ninguém pode se manter anônimo ao escolher apoiar o movimento nazista. Nós sempre encontraremos vocês! É apenas uma questão de tempo.

Banco de Dados: https://midgard.antifa.se/

Fonte: https://antifa.se/2023/12/04/afa-research-vi-offentliggor-midgards-kundregister/

No Lugar de um Manifesto

[tradução do capítulo 02 do livro Anarchy in the age of Dinosaurs, por Curious George Brigade]

Nós vivemos em uma era de dinossauros, Ao nosso redor enormes berremutes sociais, econômicos, e políticos vagam por ambientes destruídos, por todo o planeta lançando sombras que ameaçam a vida. Existe um esforço titânico acontecendo em nossas comunidades conforme Capitalisto-Rex e Estadossaurus lutam para encherem suas barrigas com mais recursos e poder enquanto se defendem das garras de espécies competidoras como o recém descoberto, o selvagem Pterror-dactyls. A batalha entre esses gigantes é terrível, mas não pode durar para sempre. A Evolução está contra esses tiranos condenados. O sol deles já se põe e os olhos brilhantes de outros reluzem nas trevas, exigindo mudança.

Nem todos esses olhos são muito diferentes dos répteis tiranos que atualmente dominam o globo. Eles inspiraram dinossauros menores que aguardam sua vez de dominarem. Esses dinossauros menores são as ideologias fossilizadas da Esquerda. Apesar das promessas sedutoras, eles oferecem apenas uma versão mais confortável do sistema atual, e no final não são mais liberatórios que os mestres maiores, como os governos “socialistas” do Leste Europeu. Suas garras podem ser menores e seus dentes não tão afiados, mas seu apetite e métodos são os mesmos de seus parentes maiores. Anseiam pela massa: o eterno sonho da criança de ser gigante. Eles acreditam que se conseguirem chegar a uma massa suficiente, através de partidos, organizações, e movimentos, então eles poderão desafiar os dinossauros mestres e arrancar o poder deles.

Nas frescas sombras da noite, nas copas das árvores de florestas esquecidas, e nas ruas das cidades devastadas ainda existem outros olhos. Olhos ligeiros e corpos esguios alimentados de esperança, olhos que brilham com a possibilidade da independência. Essas criaturas pequenas vivem na periferia, nas pegadas e sombras de dinossauros. Suas orelhas não respondem aos chamados de dinossauros menores que querem os consumir e criar “um grande dinossauro” para dominar a todos os outros. Essas pequenas criaturas de sangue morno são muitas e variadas, vivendo da abundância descartada que os dinossauros em sua arrogância, pisoteiam. Eles conspiram juntos nas sombras e dançam quando os gigantes dormem exaustos. Eles constroem e criam, encontram novas e redescobrem esquecidas maneiras de viver, confiantes que a tirania terá um fim. Nós sabemos que esse reinado draconiano não irá durar para sempre. Mesmo os dinossauros sabem que sua era deve acabar: o meteoro certamente chegará Seja pelo trabalho das curiosas criaturas de sangue quente, seja por alguma catástrofe desconhecida, os dias ruins de colossais autoridades reptilianas acabará. O monótono uniforme de escamas blindadas será substituído por um traje de penas, pêlos e pele macia em um milhão de tons.

Essa é a anarquia na era dos dinossauros.

ANARQUIA NA ERA DOS DINOSSAUROS

[tradução do capítulo 01 do livro Anarchy in the age of Dinosaurs, por Curious George Brigade]

[Nota do Editor: abaixo estão as notas não editadas do diário mais recente do Dr. Errol Falkland; Dr. Falkland é um dos pesquisadores mais renomados em paleopolíticologia e sua pesquisa mais recente foi publicada na Nature, Left Turn, e New England Review of Paleopoliticology. Ele e alguns estudantes da Universidade Ferrer passaram este verão escavando novos sítios na América do Norte. Nós gostaríamos de agradecer a Dr. Falklands e seus estudantes por nos darem acesso as esses achados até então não publicados]

5/1: Nós encontramos um sítio especialmente rico essa semana, nos vales das Apalachias no sudeste da Pennsylvania. Um bom número de espécies foram encontrados em excelentes condições, incluindo o primeiro esqueleto completo de um Proletarius Maximus. Proletarius Maximus é sem sombra de dúvidas o ancestral de inúmeras outras formas menores de Proletarius (por exemplo: Classe-asaurus, Anarcho-communitarius, Syndicalicus e Polysindicalus). O excitante sobre essa descoberta é que podemos facilmente observar os fatores político-ambientais que permitiram tal besta fera sobreviver até a era moderna. Apesar de certo desacordo entre os pesquisadores, há poucas dúvidas de que espécies atualmente isoladas e ameaçadas de extinção como os Wobblienator e sua espécie, são diretamente relacionados a esse berremute do meio do século 19.

As características marcantes desse animal são seu imenso tamanho, seu movimento lento. E sua propensão a atolar em pântanos. Esse espécime em particular, sem dúvida foi abatido por um Federal Rex. Nas décadas passadas, um número de esqueletos parciais de Proletarius Maximus foram descobertos sugerindo que seu movimentos lentos os tornaram presa fácil não apenas para o Federal-Rex mas também para os Pteralpinkertons e outros predadores maiores, e mais perigosos do meio do século 19 e começo do século 20.

Evolutivamente, esses animais precisavam de massas cada vez maiores para se protegerem de animais predadores do gênero Capitalismauros. A inabilidade de se adaptarem e falta de confiança de confrontos cara-a-cara com predadores maiores comumente os tornava refeições fáceis para esses terríveis assassinos.

Apenas os menores parecem ter perecido de mortes naturais, aparentemente não foram considerados refeições grandes o suficientes para os predadores e foram deixados nas áreas marginalizadas da America do Norte como os campus de faculdades. Proletarius Maximus Norte Americanus é comumente confundido mesmo por palepolíticologos como sendo o mesmo animal que o Proletarius Maximus European, ou mesmo o híbrido especializado de Proletarius Maximus Espanol das Planícies Ibéricas. Análises taxidermicas (juntamente com novas pesquisas fecais) apontam importantes diferenças e abrem uma longa pesquisa para explicar a falta de crescimento do Proletarius Maximus da América do Norte.